segunda-feira, 23 de abril de 2012

Ah Tá bom....

A polêmica do compartilhamento automático no Facebook

Sem barreiras
FOTO: Reprodução
Se você é usuário do Facebook, já deve ter se deparado com alguma publicação do tipo "Pedro leu: 'Panicat raspa o cabelo ao vivo no Pânico'". Caso se interesse pelo post e clique nele para ler o conteúdo, vai se deparar com um aplicativo que pede uma série de autorizações - uma, inclusive, para postagens em seu nome. Só depois de aceitar, poderá acessar a notícia e, então, seus amigos ficarão sabendo - exatamente como aconteceu com Pedro.

Esse círculo vicioso passou a existir no Facebook graças à ideia de "compartilhamento sem fricção" de Mark Zuckerberg, implementada a partir da plataforma Open Graph. Isso foi anunciado junto com a Linha do Tempo, em setembro de 2011. Na época, a equipe da rede social fechou uma série de parcerias com empresas como Spotify, Rdio, Netflix etc. e agora elas começaram as publicações involuntárias. Basta autorizar uma única vez.

O recurso tem chamado atenção porque usuários se deparam com informações que não gostariam de ver publicadas automaticamente, por mais que tenham autorizado a atuação do aplicativo. "Parece mais com um spam", comenta Wagner Martins, sócio-diretor da agência Espalhe, agência especializada em marketing de guerrilha e com forte atuação no meio digital.

"Em alguns pontos chega a ser grave, porque eu não sei até que ponto o usuário presta atenção a que tipo de autorização que ele está dando. Essas autorizações foram melhoradas, mas a maioria não se preocupa, autoriza qualquer coisa sem medo nenhum - e você está entregando seus dados sem perguntar nada", continua.

Sócio e cofundador da rede social de reviews de filmes moovee.me, o publicitário Daniel Sollero publicou, nesta segunda-feira, 23, um texto-desabafo sobre o assunto no Brainstorm #9, em que critica o modelo por não considerá-lo natural.

"O compartilhamento de conhecimento e conexões é uma maneira de fazer com que você seja reconhecido, que a sua relevância para esse público seja notada", diz. "Ao vulgarizar o ato de compartilhar, esses apps simplesmente tiram do leitor a opção de usar esse conhecimento como uma maneira de se destacar e isso desequilibra toda a cadeia das redes sociais."

Para o executivo da Espalhe, só mesmo o amadurecimento do internauta pode fazer com que ele entenda o que deve ou não fazer no ambiente virtual. Mas esse tipo de preocupação geralmente vem de uma experiência negativa. "Aí, sim, ele vai tentar entender o problema."

Há dois lados a se analisar, o da marca que usa esses recursos e o dos usuários que os aceitam. Para estes últimos o caminho é fácil: não clique, se não quiser se ver associado à publicação que virá a seguir; se for mesmo de seu interesse, sempre leia atentamente que tipo de permissões o aplicativo carrega, para não ter surpresas depois.

Já as marcas, na visão de Martins, deveriam se preocupar mais com produção de conteúdo relevante, que seria compartilhado espontaneamente e se espalharia sozinho. "Se você aparece muito, acaba virando paisagem. As pessoas já aprenderam a bloquear, então você vai para um caminho sem volta. É melhor dar atualizações mais significativas."
 
O Adnews usou o próprio Facebook para perguntar aos leitores o que eles acham sobre o assunto. De todos os que responderam à enquete até às 15h50, nenhum foi favorável ao recurso.

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